
Inflação Surpreende em Baixa e Chega aos 8,78% em Agosto
A inflação em Angola desceu para 8,78% em Agosto, a segunda vez consecutiva abaixo de dois dígitos desde 2015. Perceba o que motivou a queda, a reacção do BNA e o que isto significa para o custo do crédito das empresas.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou, a 8 de Setembro, que a inflação homóloga em Angola desceu para 8,78% em Agosto de 2026, uma desaceleração de 0,55 pontos percentuais face aos 9,33% registados em Julho, e de 10,09 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2025.
Segundo o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), esta é a segunda vez consecutiva, desde o início da série em 2015, que a inflação homóloga se fixa abaixo dos 10%, e o nível mais baixo registado desde Novembro de 2023. A classe "alimentação e bebidas não alcoólicas" foi a que mais contribuiu para a subida do nível geral de preços, com 6,01 pontos percentuais, seguida de "bens e serviços" (0,43 p.p.), "saúde" (0,42 p.p.) e "educação" (0,37 p.p.).
A nível provincial, Cabinda (11,53%), Malanje (11,25%) e a Lunda Sul (10,69%) registaram as variações mais altas, enquanto o Cuanza Norte (5,22%), o Huambo (5,85%) e o Cunene (6,69%) tiveram as mais baixas.
Esta trajectória de desaceleração já era antecipada pelo Banco Nacional de Angola. Em Julho, o governador do BNA tinha admitido a possibilidade de Angola atingir uma inflação de um só dígito, ligeiramente acima dos 8%, ainda em Agosto.
Perante este cenário, o Comité de Política Monetária do BNA decidiu, na sua última reunião ordinária, reduzir a taxa de juro de referência de 17,00% para 15,75%, e reviu significativamente em baixa a projecção de inflação para o final de 2026, dos 11,5% inicialmente previstos em Maio para 8,6%.
O que isto significa para empresas e investidores A descida sustentada da inflação, associada à redução da taxa de juro de referência do BNA, tende a baixar gradualmente o custo do crédito bancário disponível para as empresas, e a tornar relativamente menos atractivo o retorno nominal de instrumentos de dívida pública face a há poucos meses, ainda que o retorno real, descontada a inflação, continue a melhorar.
Para tesourarias empresariais, este é um bom momento para rever projecções orçamentais e o custo de eventuais linhas de financiamento contratadas a taxas variáveis.
O INE deve divulgar os dados de inflação relativos a Setembro de 2026 no início de Outubro, e o Comité de Política Monetária do BNA reúne-se novamente antes do final do trimestre para avaliar se a trajectória decrescente justifica novos ajustes à taxa de juro de referência.

